Sumô: Olhando mais de perto

Na revista Usina da Cultura do mês de junho, conto um pouco sobre as minhas descobertas assistindo sumô pela primeira vez. Aqui no blog, conto a mesma história com alguns detalhes a mais!

Todo mundo já viu ou ouviu falar de sumô: aquela luta japonesa em que os lutadores são gordinhos, usam um penteado diferente e vestem uma sunga bem esquisita. Pelo menos é assim que a grande maioria dos ocidentais enxerga esse esporte. Comigo não era diferente: até morar no Japão, meu contato mais próximo com o sumo havia sido através do Honda, do Street Fighter.

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Pois bem, a coisa mudou bastante de figura para mim quando fomos assistir as finais do “Grande Torneio de Sumô de Verão”, no último domingo de maio, aqui em Tóquio!

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Havíamos comprado os ingressos há quase dois meses – é assim que tem que ser quando se mora em um país tão populoso. Deixando para a última hora, como nós brasileiros adoramos fazer, corre-se o risco de todos os lugares estarem vendidos.

O TORNEIO:

São apenas 3 por ano em Tóquio. Outros três são realizados nas cidades de Nagoya, Fukuoka e Osaka, totalizando 6 campeonatos anuais, com a duração de 15 dias consecutivos cada. O campeão é definido por pontos, sendo que cada vitória vale 1, e cada lutador tem 1 luta por dia, podendo somar até 15 pontos. Se no dia da final houver empate para o primeiro lugar, aí sim, será realizada uma luta extra para desempatar e definir o grande vencedor.

A LUTA

As lutas vão acontecendo em ordem crescente de importância, ou seja, os sumotoris que ocupam as melhores colocações no ranking são os que lutam por último. A peleia em si é muito simples, rápida e fácil de entender. Quando digo rápida, pense em muito rápida: raramente excede 10 segundos! Para vencê-la, basta que o oponente pise fora do ringue ou que encoste no chão qualquer parte do corpo que não as solas dos pés.

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Em compensação, os rituais efetuados antes de cada combate levam em torno de 5 minutos! É que o sumô tem sua origem na religião nativa do Japão, o Xintoísmo. Nos primórdios, dizem que a luta ocorria para entreter os deuses e pedir por uma boa colheita. Desde então, muita coisa mudou, especialmente no que se refere a regras, categorias e profissionalização do esporte. Mas os rituais são heranças da religão, e proporcionam um show a parte. Entre os mais curiosos estão:

– o ritual de apresentação coletiva dos lutadores antes do início das lutas de cada categoria, na qual eles usam uma espécie de avental especial para essa ocasião;

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– o famoso movimento de levantar a perna e bater os pés no chão, para espantar os maus espíritos

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– a ação de jogar sal no ringue (mais de uma vez), para purificá-lo;

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– o movimento de abrir bem os braços, para mostrar que estão desarmados.

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O ÁRBITRO:

O árbitro usa um modelo de kimono inspirado nas vestimentas dos Samurais no período Kamakura (1185–1333), e um chapéu semelhante ao do sacerdote xintoísta.

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OS LUTADORES

Os praticantes de sumô são chamados Sumotoris, mas os profissionais são conhecidos como Rikishis.

Os rikishis são distribuídos em seis divisões, sendo que somente os que lutam nas duas primeiras recebem salários. A rotina não é nada fácil: eles vivem em comunidades, onde diariamente passam por rigorosos treinamentos para fortificar o corpo e o espírito.

A “dieta” consiste em ingerir aproximadamente 8.000 calorias por dia. Os que precisam ganhar peso, podem chegar a ingerir até 15.000. Mas não se engane: essa alimentação não consiste em comer à vontade e sem culpa tudo o que sonhamos! São 2 refeições por dia: uma espécie de sopa com carnes, vegetais e massa – o chankonabe. O complemento é feito com arroz e, quem diria, com aquela cervejinha para ajudar a encorpar.

Apesar do aspecto de gordura mórbida, a gordura que acumulam os lutadores de sumo é a subcutânea, que é bem menos prejudicial à saúde do que a gordura visceral, normalmente acumulada por pessoas obesas. Isso se dá, principalmente, devido à combinação do tipo de alimentação aos exercícios físicos.

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GAIJINS NA ÁREA

Uma das coisas que me surpreendeu foi a forte presença de estrangeiros (gaijins) entre os rikishis. Há atletas de várias nacionalidades, e podemos nos orgulhar: temos um brasileiro na seleta e concorrida primeira divisão! Ele se chama Ricardo Sugano, ou Kaisei Ichiro – seu nome de guerra.

A participação (e destaque) de estrangeiros no esporte cresceu bastante nos últimos anos, tanto que os últimos 4 Yokozuna (campeões supremos, um título conferido aos atletas que vencem muitos torneios) não são japoneses. Dentre os estrangeiros, destacam-se os mongóis, que – diga-se passagem – são os asiáticos mais favorecidos geneticamente nos quesitos força e altura.

Altura e peso não só favorecem, como são pré-requisitos para o atleta profissional.  Os que não têm no mínimo 75kg e 1,73 de altura até podem ser admitidos, mas não antes de passar por testes físicos. No passado, antes de serem proibidas, próteses de silicone foram implantadas na cabeça de lutadores para atingir a altura mínima requerida, o que rendeu alguns apelidos de “cabeça de cone”

Além da força, eu não poderia deixar de mencionar a flexibilidade e a agilidade do profissional desse esporte – apesar de seu tamanho sugerir o contrário. Essas características ficam evidentes no exato momento em que a luta tem início, quando o potente primeiro impacto é rapidamente provocado e absorvido, dando início a um perspicaz jogo de força e estratégia.

Outra curiosidade é que não há categorias de peso. No dia em que assistimos, vimos um estrangeiro fora dos padrões enfrentar um adversário muito mais pesado. E quando todos pensavam que ele seria esmagado, surpresa! O magrinho conseguiu fazer o adversário pisar fora do ringue.

Nem sempre as coisas são como parecem à primeira vista. Olhando o sumo um pouco mais de perto, pude enxergar a beleza desse esporte e entender melhor um pouco do que ele representa para o povo japonês. Além disso, aprendi a respeitar tanto a história de dezenas de séculos dessa luta, como também esses dedicados atletas, que passam por muitos sacrifícios para chegar ao topo.

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Por favor, faça isso em casa!

Que Tóquio é uma cidade super populosa, não é novidade para ninguém. São aproximadamente 13 milhões de habitantes, sendo que essa população aumenta em mais de 2,5 milhões durante o dia, com os moradores da região metropolitana que vem trabalhar ou estudar. A região metropolitana tem mais de 30 milhões de habitantes – é mais do que a população da Região Sul do Brasil inteira, só que ao invés de estar distribuída em 576.410km², está em 8.304km².

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Com tanta gente, já dá pra visualizar o caos que é viver aqui, né? Se você consegue visualizar o caos, provavelmente deve estar confundindo o Japão com a China. Aqui tudo funciona pontualmente, silenciosamente e com ordem. É claro que algumas pessoas quebram as regras de vez em quando, principalmente os estrangeiros e os jovens. Nada grave, mas como saber usar o espaço comum e respeitar o próximo é fundamental para manter as coisas funcionando, não custa dar uma reforçadinha nas regras.

Com esse objetivo, o Tokyo Metro – maior empresa de metrô do Japão – lança anualmente pôsteres para “lembrar” os usuários de manter as boas maneiras no trem. Em 2008, teve início uma campanha de 3 anos usando o tema “deixe para fazer isso em casa”, na qual o artista Bunpei Yorifuji criou curiosos pôsteres com tradução para o inglês, que tornaram-se um grande sucesso e divertiram muita gente, ganhando até paródias na internet.

Até hoje algumas pessoas replicam esses pôsteres no facebook, por isso resolvi dividir aqui, apesar de ainda não estar morando no Japão na época.

Selecionei alguns dos 36 pôsteres (aqui, a coleção completa – em inglês), chamando a atenção para comportamentos um tanto quanto bizarros que devem ser evitados no trem.

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Por favor, faça isso na praia!

(Não corra para entrar no trem porque é perigoso.)

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Por favor, faça isso em casa!

(Evite comportamento de bêbado)

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(Por favor, divida o assento com os outros)

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Esse é um dos meus preferidos: por favor, não finja que seu guarda-chuva é um taco de golf para não molhar todo mundo ao redor!

(tenha cuidado ao manusear seu guarda-chuva molhado)

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E esse, que mostra o menino DE FONE, mas com o volume muito alto? E no Brasil, que a gente tem que aguentar o pessoal ouvindo FUNK na caixa de som estourada do celular a todo volume? Nada contra quem curte ouvir funk, só não obrigue os outros a ouvir com você!!

(por favor, tenha cuidado com o som vazando dos seus fones de ouvido)

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Por favor, faça isso na montanha!

(tenha consideração com os outros quando carregar grandes volumes)

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Esse me pegou! Cruzei muito as pernas no trem antes de saber que não podia, porque diminui o espaço para os que estão ao lado e ainda mais para os que estão em pé!

Ler livros pode, mas jornal não, porque necessita de muito espaço para abrir e folhear. Mas, por motivos óbvios, com essa regra eu não tive nenhum problema.

Em 2010, o slogan foi “Por favor, faça isso de novo”, e os cartazes foram para reforçar atitudes positivas:

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(ofereça o seu assento aos que precisam)

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(coopere para que mais passageiros possam sentar)

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(entre no trem quando for a sua vez)

As campanhas seguem, e todo mês um novo cartaz é colocado nas estações. Em 2011, os cartazes eram com animaizinhos:

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(por favor, note que se maquiar dentro do trem pode incomodar os outros)!!!

Esse foi o cartaz de outubro de 2011, o mês que eu cheguei no Japão!

Em 2012, novos desenhos:

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(você pode estar se divertindo, mas por favor, mantenha sua voz baixa no trem)

Pode até parecer um exagero em determinadas circunstâncias, mas a medida que vamos experimentando os benefícios de utilizar trens onde as pessoas, em sua grande maioria, cumprem essas regras… passamos, nós também, a zelar por elas.

Fontes: Gakuranman, Rocket News

Texto da Revista Usina da Cultura

Pessoal

MUITO obrigada a todos que acessaram o blog e deixaram comentários, e também aos que me mandaram mensagens e e-mails de incentivo! Está sendo uma surpresa muito boa receber esses retornos!! Espero poder escrever sempre coisas bem interessantes pra dividir com vocês!

Este é o texto que saiu neste mês de maio na revista Usina da Cultura, de São Francisco de Paula/RS. A revista é nota 10, e o download é gratuito. Vale a pena conferir, tem poesia, fotografia, cultura, lazer e matérias super envolventes!

Uma cidade sem Lixeiras

Uma das primeiras coisas que chama a atenção em Tóquio é a ausência de lixeiras nas ruas. Não é fácil encontrar um lugar próprio para descartar o lixo por aqui.

A primeira reação a essa informação poderia ser imaginar uma cidade extremamente suja e mal cuidada, certo?  Não no Japão. As ruas são surpreendentemente limpas, o que é ainda mais incrível se considerarmos a quantidade de pessoas que aqui vivem e circulam.

“Como é possível?” – me perguntei já no meu primeiro dia em Tóquio, em uma caminhada pela cidade. Comprei um café para ajudar a segurar o sono (são 12h de fuso horário), e segui andando. Assim que o café acabou, nada de lixeiras. Nem em frente a propriedades particulares, nem em praças, nem na estação de trem. Fui encontrar em uma loja de conveniência (aqui são chamadas de “konbini”), que é praticamente a única opção para quem quer se desfazer de algum lixinho.

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As raras lixeiras das lojas de conveniência são sempre assim: tudo separadinho para reciclagem.

 

Acontece que o lixo por aqui é uma coisa muito séria, e é considerada responsabilidade de cada cidadão descartá-lo corretamente. Por isso, os japoneses não jogam lixo no chão. Se não houver um konbini por perto, carregam o que precisam jogar fora até suas casas, onde podem descartar tudo corretamente – obedecendo, é claro, as regras de cada prefeitura quanto à separação para reciclagem. Onde eu moro, o lixo é separado em pelo menos 7 categorias.

Além disso, preocupam-se em limpar o que eventualmente alguém sujar. É raro encontrar um gari: quase sempre são os próprios cidadãos que fazem a limpeza das ruas e espaços comuns.

Os benefícios da limpeza vão muito além de viver em uma cidade bonita. Por exemplo, quando chove forte: aqui nunca alaga, pois não há sujeira bloqueando os bueiros!

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Uma das ruas mais conhecidas de Tóquio, a Takeshita-dori, está sempre cheia de gente – mas nunca de lixo! (foto: Cecilia Sanchez)

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Os parques, sempre limpinhos!

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“Tapete” de folhas de Ginko Biloba. Mesmo sem lixeiras por perto, nada de sujeira no chão. (foto: Estela Souza)

 

Se dá trabalho? Um pouco, no início. Fica mais fácil quando vira um hábito. E, na minha humilde opinião, é um esforço muito pequeno para um resultado tão grandioso.

Arigatou!

Guam

Sobre estar morando na Ásia, uma das coisas que eu mais gosto é o contato com o que até então era completamente desconhecidos para mim.

Por exemplo Guam, de onde eu jamais havia ouvido falar antes de morar no Japão! Passado algum tempo aqui, descobrimos que é um destino muito popular para férias, já que fica a menos de quatro horas de vôo partindo de Tóquio. Surgiu uma oportunidade de uns dias de folga, e nós decidimos ir pra lá!

A ilha de Guam, em área, é só um pouquinho maior que Montevideo. Pertence aos Estados Unidos, e fica no conjunto das ilhas Marianas – que fazem parte da Micronésia. Em relação ao Japão, Guam fica ao sul, e ao leste das Filipinas. É necessário bastante zoom no Google Maps para poder ver!

Chegamos lá quase a meia noite, e já tivemos uma ótima impressão. No desembarque do aeroporto, havia um quiosque de boas-vindas com o nome de alguns hotéis, mas o nosso não estava na lista. A senhora que atendia ali (sim, estava aberto aquela hora da noite em um dia de semana), viu que olhávamos e nos chamou, oferecendo ajuda. Telefonou para o nosso hotel para confirmar o transfer, e ainda nos deu várias dicas sobre passeios, shoppings e sobre uma feira/festival que aconteceria nos próximos dias.

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Na manhã seguinte, ficamos surpresos com a quantidade de japoneses por lá. Nem parecia que estávamos fora do Japão! Na piscina do hotel, nós éramos os únicos não-japas. O que é bem engraçado, pois eles têm um jeito bem peculiar de aproveitar praia, sol e piscina:

Cobertos. Eis aqui alguns exemplares que eu pude clicar:

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Além de filtro solar, eles usam roupas longas, sombrinhas, chapéus com abas enormes – e entram assim mesmo na água. Talvez seja esse um dos segredos da pele asiática, que nunca acusa a idade! Eu e o Tiago brincamos dizendo que quando um japonês aparenta ter 70 anos, provavelmente deve estar com mais de 100.

Não é a toa que MUITAS placas, menus e mapas em Guam estão escritos primeiro em japonês, depois em inglês: fui pesquisar alguns números, e encontrei no Japan Times o seguinte:

  • Os japoneses realmente são os principais visitantes de Guam. Em 2012, foram aproximadamente 929.000 nipônicos desembarcando na ilha, o que representa 71% do total anual de turistas;
  • Um único japonês deixa em Guam uma média de quase $1.400 em sua visita. Eles curtem muito fazer compras.

No final de semana o hotel encheu mais, e apareceram outras nacionalidades de turistas. A maioria asiáticos, é claro, mas também alguns “americanos”. Entre aspas, porque o povo de Guam também é americano!

Por falar em hotel, o nosso era extremamente bem localizado. Os principais hotéis e resorts ficam nas praias de Tumon e Tamuning. O nosso era em Tumon, onde fica o “centrinho” com as lojas, bares e restaurantes. A praia é com areia fina e bem branquinha, e a água é de uma cor que só os olhos conseguem propriamente captar. Há muitos corais, logo, muitos peixes – que tivemos a oportunidade de ver fazendo mergulho.

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Há muitos militares norte-americanos que moram em Guam em função da importante base aeronaval que os Estados Unidos têm lá. É uma base bem estratégica, pois a localização é conveniente para operações na Ásia e na Oceania.

Aliás, a história de guerras e ocupações dessa ilha, que é a maior da região, não é nada pacífica. Foi colonizada primeiramente por espanhóis! Tanto que a língua local, o Chamorro, tem várias palavras semelhantes e até iguais as da língua espanhola.

Depois da Guerra Hispano-Americana, Guam foi dominada pelos Estados Unidos até 1941, quando os japoneses invadiram e ocuparam a ilha até 1944, ano em que foi tomada de volta pelos EUA.

No segundo dia, alugamos um carro e saímos a passear pela ilha. Visitamos o Pacific War Museum – um museu pequeno, mas fascinante – onde pudemos conhecer mais sobre essa violenta história e ver artefatos de guerra usados por japoneses e americanos neste período.

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Uma das descobertas mais interessantes para mim foi Shoichi Yokoi, um sargento do exército japonês que foi encontrado escondido em uma caverna em 1972. 1972!!!! Quase 28 anos após o fim da guerra! Ele e outros japoneses, que foram encontrados nos anos seguintes a 1945, se esconderam nas matas para não se render. Isso porque, no Japão, quem se rende é desonrado, e a honra é o que há de mais importante. Os números são impressionantes: 18.000 japoneses foram mortos em 1944 na II Batalha de Guam, e apenas 485 se renderam. :- (

Os numerosos lugares relacionados à guerra são acessíveis, e estão espalhados em diversas partes da ilha: fortes, locais onde ocorreram batalhas, cavernas, material bélico… Correndo na beira da praia de Tumon, o Tiago passou por uma trincheira! Pena que ele estava sem a câmera. Aqui um dos locais que visitamos, o Nimitz Hill:

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Outro ponto turístico famoso da Ilha é o “Two Lovers Point”, ou “Puntan dos Amantes”. Diz a lenda que um casalzinho de jovens apaixonados se jogou de mãos dadas do penhasco, pois ela era prometida a um capitão espanhol e eles não poderiam ficar juntos. Esse é um dos pontos turísticos mais famosos de Guam. Fica ao norte da ilha, e propicia uma vista linda da baía de Tumon. Casamentos também são realizados lá, inclusive muitos japoneses vão se casar em Guam.

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Também fomos conferir a Feira da qual a senhora nos falou – Guam Micronesia Island Fair. Foi uma delícia! Conversamos com algumas pessoas, comemos um churrasquinho em uma das barraquinhas de comida, assistimos a um show de dança típica dos Chamorros (pré-colonização) e vimos de perto como os locais se divertem. Foi muita sorte estarmos lá justamente nos dias da feira!

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No hotel, também assistimos um show de dança típica dos Chamorros, que estava ocorrendo em uma festa particular de japoneses – possivelmente um casamento. Foi muito bonito! As mulheres dançam movimentos semelhantes aos da Hula, e os homens simulam lutas, usando enormes cascos de tartarugas como escudo.

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Bom, esta foi a nossa mais recente aventura. As férias acabaram, e infelizmente também não temos visitas agendadas. Ou seja, tudo volta à rotina agora, o que certamente vai me permitir escrever com mais frequência.

じゃまた! Até logo!

Churrasco no Japão

Como bons gaúchos que somos, uma das nossas maiores preocupações sobre a mudança para Tóquio era como sobreviveríamos sem a nossa dupla sagrada: churrasco e chimarrão.

O chimarrão nós tratamos de garantir antes mesmo de sair do Brasil: cuia, bomba e 6kg de erva mate embalada à vácuo foram distribuídos nas nossas malas, e vieram para o Japão conosco. Além disso, deixamos familiares em sobreaviso para enviar mais quando necessário.

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Mas e o churrasco? Não tinha como trazer picanha e costela na mala. Muito menos a churrasqueira! Então, chegando aqui, começamos a arquitetar o que faríamos quando batesse aquela saudade do nosso amado churrasquinho.

Ainda nem havíamos alugado apartamento e já pensávamos em comprar uma churrasqueirinha “paulista” para a sacada, mas fomos avisados por amigos que já moram aqui há mais tempo que não é permitido fazer churrasco na maioria dos prédios e parques, porque a fumaça pode incomodar. Essa é a filosofia do japonês: se vai incomodar alguém, é proibido.

Logo descobrimos que nem tudo estava perdido quando conhecemos o Barbacoa (www.barbacoa.com.br), rede de churrascarias que tem 3 restaurantes aqui em Tokyo. Uma delícia! O mais perto da nossa casa é o de Aoyama – aproximadamente 15 minutos de bicicleta. O preço para um almoço no final de semana, incluindo Buffet, Churrasco, uma bebida e sobremesa fica em torno de 3.600 JPY, que hoje dá mais ou menos R$75,00/pessoa.

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Fomos também conhecer o Tucano’s (http://www.pjgroup.jp/tucanos/p_tucanos/), outra churrascaria brasileira que fica em Shibuya. A noite, tem até umas meninas que fazem show de samba e convidam o pessoal para dançar. Os japoneses parecem adorar! Aqui o almoço de domingo sai por 2.900JPY sem bebida, ou seja, mais ou menos R$60,00/pessoa.

Ok, já são algumas opções. Mas definitivamente não para ir todos os finais de semana.

Uma curiosidade daqui é que os restaurantes costumam ter um limite de 2 horas para permanência. Faltando alguns minutos, o garçom anuncia o “Last Order” e em seguida já traz a conta. É interessante, pois assim o restaurante garante o giro. É possível planejar melhor as reservas, o tempo máximo de espera, etc. Mas a verdadeira razão dessa regra é, segundo nossa suspeita, o fato de que se o restaurante não estabelecesse um limite de tempo, as pessoas passariam o dia inteirinho – ou a noite – ali.

Mas a graça do churrasco para nós, e aqui só quem é gaúcho entende, não é apenas comer. É toda a “função” que já se inicia com a escolha da carne, e que reúne todos por horas às voltas da churrasqueira, beliscando aperitivos e contando “causos”.

Imagine a nossa felicidade quando, na entrega das chaves do nosso apartamento, durante a “palestra” explicando as regras do edifício, fomos informados que é permitido fazer churrasco nesse prédio!!! Nossa reação foi tão descontrolada que a japonesa quase mudou de idéia. Veja este vídeo e imagine a cena.

Logo já compramos a nossa churrasquerinha, carvão e apetrechos para assar.

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Aos poucos fomos descobrindo mercados de produtos brasileiros que entregam em casa, resolvendo também o nosso medo de ficar sem erva-mate.

Quitandinha: http://www.quitandinha.com

Tele-Amigos: http://www.tele-amigos.com

Bom Preço: http://www.bomprecomercado.com/

A carne é quase sempre australiana, e é bem gostosa! Dá pra comprar em bloco ou fatiada, escolhendo inclusive a espessura do corte, e o kg custa só R$38,00!!!! Além da picanha, um outro corte que conquistou nossos corações foi a “bananinha da costela”, aproximadamente R$34,00/kg.Já fizemos vários churrascos aqui na nossa sacadinha, e também ao ar livre nos parques onde é permitido. Até o 20 de setembro do ano passado comemoramos com churrasco.

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Tenho MUITA sorte de ter me casado com um dos dois melhores assadores do mundo!!! (o outro é meu pai). O churrasco do Tiago fica SEMPRE um espetáculo, só de escrever já fico com água na boca! 🙂

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É claro que temos muita saudade do ritual tradicional do nosso churrasquinho gaúcho, mas aqui também nos viramos muito bem!!!

‘Depois do Inverno – a Vida em Cores’

Acho que nunca conheci alguém que não goste da primavera. Pelo menos não no Rio Grande do Sul:

A temperatura é super agravável, as pessoas estão felizes por poderem, enfim, guardar seus casacos mais pesados e voltar aos bares, às ruas, aos parques… Também tem os feriados de 7 e 20 de setembro, finados, N. Sra. Aparecida… E o preto-e-branco do inverno vai se colorindo com as diversas flores que aparecem nessa temporada.

Aqui em Tokyo, a primavera inicia em março, e é o período do ano mais amado pelo povo japonês. Isso porque, logo no início da estação, florescem as famosas cerejeiras – um símbolo do país. Mas hoje eu não vou falar delas, pois elas merecem uma atenção especial. Hoje eu vou mostrar algumas outras flores lindas que encontro pelas ruas da cidade.

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É emocionante ver brotando, entre tantas pedras e concreto, a diversidade de flores que se vê por aqui. Elas florescem, e os japoneses as admiram como deve ser: fotografando-as de todos os ângulos, fazendo piqueniques (chamados “Hanami” – “hana”=flor, “mi”=ver), fazendo “tours” pelos principais parques da cidade para conferir de perto a natureza que eles tanto admiram. Mas eles não arrancam as flores para levar para as suas casas, e muito menos por vandalismo, como infelizmente é tão comum no Brasil.

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Aqui estão algumas fotos que fiz de algumas flores, aqui perto de casa mesmo. Sei que tem partes da cidade que formam verdadeiras paisagens, mas no momento essas que tenho disponíveis. Eu poderia ter muito mais fotos se tivesse pensado antes em registrar essa variedade da flora.

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Enfim, espero que vocês tenham achado tão lindo quanto eu acho! 🙂

Dia de Baseball!

Devo confessar que não entendo nada de baseball, mas esse é um dos esportes mais populares aqui no Japão.

Neste domingo (14/04), fomos convidados por um casal de amigos a assistir um jogo de Yakyu (como é chamado o baseball em japonês): “como parte de nossa infindável adaptação cultural”, diziam no e-mail em que nos convidavam a assistir o jogo Yomiuri GIANTS (jogando em casa) x Yakult SWALLOWS no Tokyo Dome. O Giants é o time mais popular do Japão.

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Fiz o meu dever de casa e vou dividir um pouquinho do que descobri sobre a prática desse esporte entre os japonenes.

Paixão nacional: O Yakyu tem duas ligas profissionais no Japão: A Liga Central (a que fomos assistir) e a Liga do Pacífico, cada uma com 6 times. Mas o esporte é tão popular que os torneios entre as escolas lotam os estádios como se fossem jogos da liga profissional, inclusive sendo televisionados. Tanto que um dia, no ano passado, eu e o Tiago estávamos andando de bicicleta perto de um estádio quando ouvimos cantos de torcida e animação digna de jogo de Libertadores. Fomos perguntar quem estava jogando e o guardinha nos respondeu “college game”. Ficamos meio confusos, e pensamos que ele não tinha entendido nossa pergunta em “japanglês”. Hoje tive certeza de que aquele jogo era de baseball e sim, poderia muito bem ser de uma liga colegial.

O estilo japonês: As regras são basicamente as mesmas do baseball americano, embora quem entenda afirme que as partidas são muito diferentes. Como em tudo, os japoneses são mais técnicos, o jogo é visto como sendo mais preciso, e o nível de cobrança é muito alto. Não somente porque a auto-cobrança faz parte da cultura japonesa, mas também porque a maioria dos times pertence a empresas, que aproveitam a popularidade desta modalidade para fazer negócio. Por exemplo, adivinhem de quem é o Yakult Swallows? O Yomiuri Giants é do Yomiuri Shinbun, um jornal japonês. E, da mesma forma, empresas de diversos ramos de atividade são “proprietárias” de times.

Tokyo Dome City: (http://www.tokyo-dome.co.jp/e/) O estádio sozinho seria impressionante se não estivesse dentro de um complexo de atrações que contém tudo (TUDO!), chamado Tokyo Dome City. É de cair o queixo!

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Parque de diversões com roda gigante, montanha-russa, etc. Centro de eventos, pista de patins, playground, boliche. Spa, sauna, hotel. Isso que nem mencionei as lojas: de conveniência, esportes, souvenirs, roupas, brinquedos, serviço postal. E dezenas de restaurantes! Tem até um Bubba Gump, que é um dos nossos favoritos por causa do filme. O estádio em si é coberto, o que permite que os jogos sejam realizados independentemente das condições climáticas. A maior peculiaridade desta cobertura é que ela é sustentada apenas pela pressão do ar(!!!), que é mantida um pouco mais alta no interior do estádio. Por isso, ao sair pelas portas giratórias, sente-se um “empurrão” de vento nas costas! Claro que eu só descobri depois, em casa, que aquele ventão nas minhas costas na saída era por esse motivo. O estádio comporta 55.000 torcedores, mas devo dizer, torcedores de tamanho japonês. Ou seja, ficamos super apertadinhos nas cadeiras que não deixam muito espaço para nossas longas pernas.

Aiai… como é difícil ser objetiva com tanto para contar…

Chegando lá: Chegamos pela estação de Suidobashi, que é atendida pelo trem (JR) e pelo metrô (Mita Line). Entramos no estádio pelo nosso portão de número 40, que fica na parte superior. Os japoneses entram no estádio com suas sacolinhas cheias de bebidas e lanches para comer durante o jogo, que tende a ser longo. É permitido entrar no estádio com o que você comprou fora,  mas o conteúdo das latinhas e garrafas é passado para copinhos de papel logo na entrada, por questões de segurança.

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Lá dentro, também é possível comprar comes e bebes. Inclusive fiquei surpresa, porque são várias as opções de lanches e refeições. Noodles (é claro), cachorro-quente (japonês), fritas, frango e até churros estão entre as opções! Tem até uma franquia Baskin Robbins (de sorvete, bem conhecida). Há também lojinhas vendendo toalhinhas, camisetas e tudo que é tipo de souvenir do time. Tudo isso lá dentro, para não perder a oportunidade de fazer negócio. Esses japoneses são muito bons nisso mesmo!

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O jogo: é bem animado! As torcidas organizadas cantam bastante, e a multidão acompanha. Pelo que pude perceber, cada batedor tem uma “música!” própria. Em jogadas mais importantes, os torcedores batem palmas e comemoram acenando suas toalhinhas cor-de-laranja, a cor do time. As bandeiras na torcida do Giants eram agitadas sincronizadamente, quase coreografadas. A torcida do Swallows também tinha coreografias: de vez em quando abriam e agitavam pequenos guarda-chuvinhas de plástico, fazendo um efeito visual super bonitinho.

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Nos  intervalos, mascotes e cheerleaders aparecem fazendo dancinhas engraçadas.

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Durante a partida, nenhum ambulante vendendo amendoim. Ao invés disso, meninas japonesas vendem cerveja usando uniformes bem chamativos e mochilas especiais que contem um barrilzinho, alguns imitando a latinha da marca. São muitas, e todas passam horas sorrindo e caminhando para cima e para baixo, carregando o barril nas costas.

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O Giants venceu o jogo, apesar de eu não saber explicar por quanto, depois de 2:35h de partida.  E nós voltamos para casa com mais essa história nas nossas mochilas, que não contêm barris de chopp, mas vêm se enchendo de experiências inesquecíveis.