Naoshima – A Iha das Artes

Pessoal!!

Que vergonha passar tanto tempo sem atualizar o blog… Obrigada a todos que me escreveram nesse período de ausência! Fiquei muito feliz em saber que algumas pessoas vinham acompanhando o blog e sentiram falta de postagens novas!

Vou fazer o possível para escrever mais!!!

Esse é o texto que saiu na edição de agosto da revista Usina da Cultura, mas em uma versão um pouco mais longa aqui no blog. 

É um lugar que eu ainda não visitei, mas que certamente está na mira para uma próxima viagem!

A ILHA DAS ARTES

Localizada na parte sul do Japão, no chamado Mar Interior, encontra-se Naoshima: uma pequena ilha de aproximadamente 3 mil habitantes, hoje conhecida mundialmente pelos admiradores da arte moderna. Hoje, destaco, pois há pouco mais de 20 anos a área encontrava-se esquecida, sofrendo com a poluição industrial e com poucas perspectivas de futuro.

A ilha fica a aproximadamente 3 horas trem de Tóquio, próxima à cidade de Okayama. A cidade também pode ser acessada de avião (vôo de aproximadamente 75 min partindo do aeroporto de Haneda), ou através de uma viagem noturna de ônibus (aproximadamente 10 horas).

O surgimento da arte e da arquitetura neste lugar tão improvável pode ser creditado à Benesse Corporation, uma grande empresa japonesa da área de educação, cujo presidente é o bilionário e amante das artes Soichiro Fukutake. Motivado pela preocupação com o envelhecimento e diminuição da população de sua região natal, o empresário decidiu realizar consecutivos investimentos na ilha, o que desde 1992 têm alimentado a transformação de Naoshima e também das ilhas próximas.

Os projetos ficaram por conta do arquiteto mais famoso do Japão, o premiadíssimo Tadao Ando, que possui inclusive um Pritzker Prize (considerado o Nobel da arquitetura). Ando abarcou no sonho de Fukutake, e sua fama foi de grande contribuição para o projeto. Ele já assina sete museus na ilha, que contam com acervos de altíssima qualidade. Reúnem obras de dezenas de artistas japoneses e estrangeiros, como Jean Claude Monet e Jasper Johns, que se encontram não apenas em museus: uma caminhada pela ilha desvenda esculturas a céu aberto e belíssimas obras de arte moderna que usam a natureza como moldura. Os próprios museus estão em contato com a natureza e a utilizam para uma proporcionar uma interação singular.

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A abóbora gigante da famosa artista japonesa Yayoi Kusama. Foto: Estela Souza

A revitalização trouxe vida nova também as ilhas vizinhas, que a exemplo de Naoshima, também tentam se reerguer com a ajuda das artes. Uma delas, Ogijima, encolheu ao ponto de hoje morarem lá somente 200 pessoas. O que ocorre é que a população de pescadores e agricultores dessas localidades vinha envelhecendo, e os jovens iam embora para os grandes centros, deixando escolas fechadas e casas abandonadas. Casas estas que agora estão sendo usadas para instalações, em especial neste ano, no qual acontece a “Setouchi Triennale”– uma trienal que está expondo cerca de 200 obras em 12 ilhas da região, reunindo o trabalho de 210 artistas de 24 países.

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Instalação em uma das casas abandonadas de Ogijima. Foto: Estela Souza

Arte, arquitetura e natureza coexistindo e convidando à apreciação. O sonho do empresário de recuperar a comunidade através da arte tornou-se realidade, e é visitado por cerca de 400 mil pessoas todos os anos. Naoshima e as ilhas do mar interior despertaram de seu sono profundo, e estão celebrando os frutos desse projeto tão inspirador. Uma verdadeira prova do poder transformador da arte!

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Foto: Estela Souza

 

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