Boca Grande

Vídeo

O Japão não cansa de me surpreender.
A última foi essa campanha de uma rede de fast food que lançou uma solução para um “grave problema” (?) da mulher japonesa.
Inusitado? Engraçado? Estranho? Genial?
Aqui posto o vídeo da campanha, em inglês, e abaixo segue uma tradução aproximada do que ele diz:

“Freshness Burguer, uma rede de lanchonetes japonesa, tinha um desafio: o hambúrguer clássico, o maior entre os ofertados, era o menos pedido pelas consumidoras do sexo feminino. Por quê? Para as mulheres japonesas, um “ochobo” – uma boca pequena e modesta – é considerado atraente. Em público, uma boca grande aberta é vista como algo feio e rude. Então, é de bom tom cobrir a boca ao abrí-la. Isso significa que é negado às mulheres o prazer de dar uma mordida de encher a boca neste grande e delicioso hambúrguer em público.
Freshness Burguer decidiu desafiar essa convenção, “libertando as mulheres da maldição da boca ochobo”. A solução: eles apresentaram o “guardanapo da libertação”, um invólucro para o burger que permite que as mulheres realizem seu desejo de dar uma grande e suculenta mordida no Classic Burguer. O resultado: a campanha foi um grande e instantâneo sucesso! As vendas do hambúrguer clássico para clientes do sexo feminino aumentaram em 213% comparadas ao mês anterior. A campanha foi destaque na rede nacional de TV e bem recebida por vozes felizes nas redes sociais. “Libertando as mulheres da maldição do ochobo”.
Da série “only in Japan”.

Não preciso nem mencionar que eu não precisei ser libertada de nada, já que eu não entendia esse costume de cobrir a boca e nunca me privei de dar mordidas selvagens em qualquer comida deliciosa. Da mesma forma, também não escondo a boca para poder rir – e nem pretendo. Mas estou doida para provar o tal do “kurashiku baga” (classic burguer) e tirar uma foto com o famoso invólucro que está tendo tanta repercussão!
Na minha humilde opinião, uma brilhante jogada de marketing da empresa que apresentou uma solução divertida para uma questão que (reforço, na minha humilde opinão) não tem graça alguma!

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Naoshima – A Iha das Artes

Pessoal!!

Que vergonha passar tanto tempo sem atualizar o blog… Obrigada a todos que me escreveram nesse período de ausência! Fiquei muito feliz em saber que algumas pessoas vinham acompanhando o blog e sentiram falta de postagens novas!

Vou fazer o possível para escrever mais!!!

Esse é o texto que saiu na edição de agosto da revista Usina da Cultura, mas em uma versão um pouco mais longa aqui no blog. 

É um lugar que eu ainda não visitei, mas que certamente está na mira para uma próxima viagem!

A ILHA DAS ARTES

Localizada na parte sul do Japão, no chamado Mar Interior, encontra-se Naoshima: uma pequena ilha de aproximadamente 3 mil habitantes, hoje conhecida mundialmente pelos admiradores da arte moderna. Hoje, destaco, pois há pouco mais de 20 anos a área encontrava-se esquecida, sofrendo com a poluição industrial e com poucas perspectivas de futuro.

A ilha fica a aproximadamente 3 horas trem de Tóquio, próxima à cidade de Okayama. A cidade também pode ser acessada de avião (vôo de aproximadamente 75 min partindo do aeroporto de Haneda), ou através de uma viagem noturna de ônibus (aproximadamente 10 horas).

O surgimento da arte e da arquitetura neste lugar tão improvável pode ser creditado à Benesse Corporation, uma grande empresa japonesa da área de educação, cujo presidente é o bilionário e amante das artes Soichiro Fukutake. Motivado pela preocupação com o envelhecimento e diminuição da população de sua região natal, o empresário decidiu realizar consecutivos investimentos na ilha, o que desde 1992 têm alimentado a transformação de Naoshima e também das ilhas próximas.

Os projetos ficaram por conta do arquiteto mais famoso do Japão, o premiadíssimo Tadao Ando, que possui inclusive um Pritzker Prize (considerado o Nobel da arquitetura). Ando abarcou no sonho de Fukutake, e sua fama foi de grande contribuição para o projeto. Ele já assina sete museus na ilha, que contam com acervos de altíssima qualidade. Reúnem obras de dezenas de artistas japoneses e estrangeiros, como Jean Claude Monet e Jasper Johns, que se encontram não apenas em museus: uma caminhada pela ilha desvenda esculturas a céu aberto e belíssimas obras de arte moderna que usam a natureza como moldura. Os próprios museus estão em contato com a natureza e a utilizam para uma proporcionar uma interação singular.

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A abóbora gigante da famosa artista japonesa Yayoi Kusama. Foto: Estela Souza

A revitalização trouxe vida nova também as ilhas vizinhas, que a exemplo de Naoshima, também tentam se reerguer com a ajuda das artes. Uma delas, Ogijima, encolheu ao ponto de hoje morarem lá somente 200 pessoas. O que ocorre é que a população de pescadores e agricultores dessas localidades vinha envelhecendo, e os jovens iam embora para os grandes centros, deixando escolas fechadas e casas abandonadas. Casas estas que agora estão sendo usadas para instalações, em especial neste ano, no qual acontece a “Setouchi Triennale”– uma trienal que está expondo cerca de 200 obras em 12 ilhas da região, reunindo o trabalho de 210 artistas de 24 países.

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Instalação em uma das casas abandonadas de Ogijima. Foto: Estela Souza

Arte, arquitetura e natureza coexistindo e convidando à apreciação. O sonho do empresário de recuperar a comunidade através da arte tornou-se realidade, e é visitado por cerca de 400 mil pessoas todos os anos. Naoshima e as ilhas do mar interior despertaram de seu sono profundo, e estão celebrando os frutos desse projeto tão inspirador. Uma verdadeira prova do poder transformador da arte!

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Foto: Estela Souza