Usina da Cultura – Julho

Aqui vai o texto que saiu na revista Usina da Cultura de Julho!

A revista completa pode ser baixada neste link, e a coluna Lá no Japão está aqui! 🙂

O Público do Transporte

Em relação às manifestações dos últimos dias, me chamou a atenção o que dizia um cartaz que eu vi em uma foto na internet: “País desenvolvido não é onde o pobre tem carro. É onde o rico usa o transporte público.”

Não posso falar por outros países, mas posso afirmar que aqui no Japão isso é uma realidade.

Aqui, o sistema de transporte é tão completo que, de verdade, não é necessário ter carro.  Moramos aqui há quase 2 anos, e ainda nem fizemos carteira de motorista! É claro que o carro traz muita conveniência, mas aqui é possível chegar em qualquer canto usando o transporte coletivo – que consiste basicamente em trens (subterrâneos e de superfície).

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E todos os níveis sociais da população realmente usam esse transporte diariamente! Altos executivos e trabalhadores das fábricas, estudantes e idosos, japoneses e estrangeiros que aqui vivem ou passeiam. Pessoas muito bem vestidas, usando bolsas e relógios caros, estão ali todos os dias, usando o transporte público.

Tanto é assim que o trânsito em si é surpreendentemente silencioso e descongestionado para uma metrópole das proporções de Tóquio. Créditos também aos milhares de ônibus elétrico-híbridos que circulam pela cidade quase sem emitir ruídos nem poluição.

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Muitas pessoas que possuem um automóvel usam o trem no dia-a-dia, principalmente as que se deslocam da região metropolitana para cá. Quem, em sã consciência, arriscaria o engarrafamento na estrada e o tempo gasto para conseguir uma vaga (cara), quando se pode contar com um transporte seguro e de preço razoável?

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É claro que nem tudo são flores de cerejeira. A lotação das principais linhas entre as 7:30 e as 9:00 da manhã é intensa, mas isso se deve mais à superpopulação do país do que à falta de frota em si: os trens passam quase que um atrás do outro nesses horários.

Arrisco dizer que se o Brasil pudesse contar com um completo, eficiente e digno sistema público de transporte, o aumento de R$0,20 não teria sido a gota d’água que transbordou o copo.

Alguns dias depois que eu escrevi esse texto, o nosso competente correspondente de Tóquio, Roberto Kovalick, despediu-se do Japão com uma belíssima crônica, na qual ele fala também sobre o transporte público. Ainda bem que eu não tinha visto antes, se não ficaria extremamente intimidada em abordar o mesmo tema que o correspondente da Globo Internacional! 🙂 Recomendo que assistam o VÍDEO, ficou emocionante!