Em Clima de Copa do Mundo

#tatendocopa !!

E mesmo sem a seleção japonesa ter tido uma vitória sequer, e o Brasil ter sido patrolado eliminado com o placar histórico de 7×1, a Copa do Mundo segue acontecendo e, aparentemente, funcionando melhor do que as previsões.

Apesar das 12h de diferença de fuso horário atrapalharem muito para que nós possamos acompanhar os jogos, a Copa esta sendo bem celebrada aqui no Nihon.

Os japoneses gostam muito de futebol, que é o segundo esporte mais popular no pais, atrás apenas do baseball.

A parte boa de não estar no Brasil durante esta Copa é ver como o nosso país está em alta por aqui, e tenho certeza que mundo afora também. Dezenas de produtos brasileiros pipocaram nas prateleiras de supermercados, cafés, lojas de conveniência e vending machines. Questões políticas à parte, estou adorando ter acesso com mais facilidade às delicias da nossa terra e ver o nome do nosso pais na boca do povo, nas prateleiras e menus!

Queria mostrar um pouco das coisas que vi por aqui, ainda que algumas eu não tenha experimentado ainda.

 

Cafés brasileiros nas vending machines

Ha pelo menos dois cafés de marcas diferentes figurando nas abundantes maquininhas de venda automática. Os dois sao gelados. Eu faria cara de nojo ha dois anos, mas agora ja acostumei e acho que um cafezinho gelado cai bem no calorão do verão japonês.

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no andar debaixo da maquina, bem no meio, o cafe Boss, com a latinha nas cores do Brasil.

 

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Aqui o cafe da Asahi.

 

Menus com Pratos Brasileiros

Redes de restaurantes como o TGI Friday’s e o Coco’s lançaram menus sazonais especiais com pratos brasileiros.

O Friday’s adicionou 5 itens no cardápio, incluindo caipirinha, uma salada com frango batizada de Ipanema, e um prato com bife sobre arroz mais apimentado do que tradicionalmente seria no Brasil, mas vá lá.

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O Coco’s, outra rede, fez um menu sul Americano com pratos do Peru, México e Brasil. O set brasileiro tinha uma saladinha, feijoada, um espetinho com frango, bife, porco e salsicha e a opção de pão ou arroz.

Nao experimentei, mas uma amiga relatou que era bem gostoso (pelo que entendi, ja saiu de cartaz).

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O restaurante World Breakfast All Day, que como o nome ja diz, serve cafés da manha típicos de varias regiões do mundo, também esta surfando a onda da Copa e servindo um café com sanduíche, pão de queijo, bolo de milho e frutas.

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http://www.timeout.jp/en/tokyo/event/11526/Bom-Dia-Brazil

 

Guaraná e Açaí

Alem dos cafés, já vi o guaraná antártica e alguns genéricos nas vending machines. Nessa semana encontrei o guaraná Kuat em garrafinha de 600ml nas lojas de conveniência. Até achei que a Coca-Cola tinha demorado pra trazer o Kuat pra cá, já que está tão em alta!

guaranaBebidas de guaraná com açaí (e vice-versa) também estão em grande quantidade nas prateleiras dos supermercados, e algumas são bem gostosas, como essas da sambazon, que tem ate uma variação com erva mate, entre outras.

Acai, Mate e Guarana

 

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Açaí selection: iogurtes sabor açaí no supermercado perto de casa!

Mate

Não é de hoje que o nosso amado mate está popular por aqui, o que causa com uma certa frequência o esgotamento dos pacotes nas lojas brasileiras que vendem online. Os chá-mate da Coca-Cola já estão consolidados e aparecem pelo terceiro verão seguido nas maquininhas, combinis e supermercados. Neste ano, a bebida ganhou até propaganda na tv, em que o cara está em uma churrascaria tomando um chá mate gelado.

Existe até uma associação chamada Japan Mate Association, que promove e informa sobre os benefícios do mate. No site há diversas informações, em japonês, sobre o cultivo, história e benefícios do mate, associado ao “Latin Power”!

mate

 

Cup Noodles de “Brazilian Chicken”

De todos os produtos com apelo verde-amarelo que provei aqui, esse cup noodles foi o mais fraquinho. Nao sei se é porque eu tinha uma grande expectativa, ja que ja fui fa de cup noddles em um passado nem tao distante, ou se porque fala em frango brasileiro, que automaticamente desperta a minha atenção. Não achei muito frango, e fiquei um tempão sentindo um gosto super artificial na boca.

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Batatinha Sabor Churrasco

Batatinhas com o selo do Barbacoa, a churrascaria deliciosa que ja mencionei aqui no post do churrasco.

Barbacoa

 

Pão de queijo

Quase da pra fazer de conta que estou no Brasil e ir buscar um pão de queijo na padaria da esquina! Tem uma bem pertinho de onde eu moro que esta com alguns produtos comemorativos a copa, inclusive pão de queijo!

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futtoboru pan e pon.de.kedjo!

Bom, isso foi um pouquinho do que eu consegui coletar. Se eu encontrar ou lembrar de mais itens, compartilho aqui para registrar.

Agora, com esse restinho de Copa, resta aproveitar essa invasão pra matar um pouquinho da saudade… e torcer contra a Argentina!! rsrsrs… brincadeirinha!!! (mais ou menos).

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Todas as noites, depois do banho do meu bebê, eu o amamento e o coloco para dormir. Enquanto faço isso, observo a privilegiada vista da pequena fração da cidade que cabe à janela do quarto dele. Todas as noites, gasto alguns minutos a mais divagando sobre a quantidade de vida que acontece ali fora. E quantas vidas estão ali! Milhares de japoneses, e de estrangeiros. Americanos, chineses, indianos, filipinos, africanos… Há mais nacionalidades aqui do que eu veria em uma vida inteira na minha pequena (e amada) cidade natal. Vejo as luzes, e imagino as histórias. Há pessoas trabalhando, jantando em suas casas ou nas centenas de restaurantes que ficam nessas duas ruas mais brilhantes. Há pessoas cantando nos karaokes, pessoas jogando pachinko, pessoas comprando e vendendo – de verduras à eletrodomésticos. Taxistas, motoboys, ciclistas. Turistas e executivos hospedados nos hotéis. Elevadores panorâmicos sobem e descem nos edifícios, e de vez em quando passa algum avião para colorir também o céu com luzes piscantes. Para onde estará indo? Ou de onde estará voltando?
Enterrado embaixo de tudo isso ainda tem mais uma camada de vida que não enxergo daqui: no metrô, mais pessoas vêm e vão. Voltam para suas casas. Felizes, cansadas, esperançosas ou desiludidas, bêbadas e sóbrias, para encontrar a família ou a solidão.
Quanta coisa estão fazendo as pessoas que vejo todas as noites da janela, e as quais eu jamais vou conhecer.
Quando o corpinho do bebê fica mais pesado, é sinal que o soninho já aprofundou. Dou nele um beijinho de boa noite, e ao fechar a cortina, dou boa noite também para essa pequena parte da cidade, tão familiar e tão desconhecida.

*oyasuminasai em japonês é o boa noite na hora de dormir.

Natal no Japão

Há poucos anos, o Natal no Japão era um dia como outro qualquer.

Como as principais religiões do país são o budismo e o xintoísmo, não havia razão para essa data ser comemorada por aqui. Só que, nas últimas décadas, o Natal chegou ao Japão (assim como outras festas ocidentais que também foram adotadas pelos japoneses, como o Halloween), e vem se tornando um evento cada vez maior por aqui – apesar de ter um significado bem diferente do que tem para nós. Afinal, era de se esperar que a importação de uma data como essa sofresse suas adaptações.

Aqui cito as principais diferenças que percebo entre as festividades natalinas para nós e para os nipônicos:

A data é unicamente comercial

Nāo há qualquer sentido cristão na comemoração natalina por aqui. Para ser mais clara, a maioria dos japoneses parece nem fazer idéia de que a celebração do nascimento de Jesus tenha alguma relação com a comemoração do Natal. Tampouco há uma comoção geral para a solidariedade, ou qualquer intenção de ir a igreja (ou ao templo) nesse dia: é apenas comercial mesmo. Apesar de também ser para muitas pessoas no Brasil! Mas a verdade é que a grande maioria dos brasileiros é tocado de alguma maneira pelo “espírito de Natal” – que aparentemente não conhece o caminho para esse lado de cá.

 

Não é feriado

Nesse ponto, o Natal continua sendo um dia como outro qualquer: não é feriado aqui no dia 25, ou seja, a menos que a data caia em um final de semana, as pessoas trabalham e vão para a escola normalmente no dia e na véspera. Há, no entanto, um feriado próximo: em 23 de dezembro é comemorado o aniversário do imperador, que neste ano será em uma segunda-feira. O dia 25 cai em uma quarta, então nada de folga para os japoneses no Natal de 2013.

 

As decorações são lindas de morrer

Minha percepção é de que não há nada “meia-boca” aqui no Japão: quando o japonês resolve fazer, ele faz muito bem feito. E quando eles resolveram que decorariam as ruas para o Natal, não foi diferente. As iluminações são a principal atração, e são de tirar o fôlego! Há muitas ruas, parques e shoppings que já tem tradição em preparar iluminações lindíssimas, e nessa época do ano atraem milhares de pessoas que vem assistir o espetáculo de luzes e. E claro, como bons japoneses, tirar muitas fotos.

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Tokyo Midtown: iluminação de 2012. A iluminação é patrocinada pela Fly Emirates.

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Keyakizaka-dori: as luzes ficam vermelhas por 10 minutos a cada hora. foto: House of Japan

As árvores de Natal também são populares por aqui. Shoppings e lojas montam árvores muito bem decoradas, e inclusive muitas famílias japonesas já montam uma em suas casas. Presépios não. Não se vê em lugar algum, nem nas decorações e nem para vender!

 

Bolo de Natal

Parece que o presente de Natal mais tradicional por aqui é mesmo o bolo. Todas as confeitarias que se prezem criam edições especiais de bolos para o Natal, o tal do “Kurisumasu Keeki”. Isso mesmo, Christmas Cake. Mas não imagine nossas tortas para a família inteira comer na ceia, no almoço do dia seguinte e ainda congelar um pedaço para a próxima festa! São bolinhos bem pequeninhos e bem caros, geralmente feitos com morangos e chantilly.

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Mas a parte mais comovente da história do bolo para mim é a comparação com as mulheres. Todos esses bolinhos sazonais devem ser vendidos até o dia 25, ou são considerados velhos e passados. Um bolo de Natal no dia 26 é um bolo velho, que deve ser descartado ou vendido com um mega desconto para compensar. Assim falam das mulheres também: devem se casar até os 25, ou são chamadas de Kurisumasu Keeki, principalmente por colegas de trabalho e até por “amigas” já casadas. Bullying!

 

Natal ou dia dos Namorados?

O Natal é uma data romântica para os japoneses, muito semelhante ao dia dos namorados para nós. Os casais trocam presentinhos e saem pra jantar, e é crucial para as solteiras ter alguém com quem sair na noite do dia 24. Minha professora de japonês me perguntou no ano passado se eu e meu marido iríamos fazer algo romântico no Natal. Eu estava dando pulos de alegria porque estávamos indo para o Brasil, e expliquei para ela que o Natal para nós era uma data que se passava em família, com a casa cheia e a mesa farta. Ela ficou bem surpresa.

 

Peru de Natal? Não. KFC!!

A “ceia de Natal” mais popular aqui é, pasmem: Kentuchy Fried Chicken. Parece que, na década de 70, a rede de fast food identificou que não havia tradição de comer peru no Japão e criou a campanha “Kentuchy for Christmas”. Desde então, esse é o “prato” típico das “ceias” de Natal japonesas. Muitos encomendam seu baldinho de frango frito com bastante antecedência, e no dia de Natal as filas nos restaurantes da rede são imensas. O mais engraçado é que muitos pensam que é tradição comer KFC no Natal, pelo menos nos Estados Unidos!

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Papai Noel, é você?

Essa mistura de costumes e de invenções de novos significados para o Natal resultou em uma decoração em um shopping de Tóquio com Papais Noéis fazendo as mais diversas “releituras”do nosso bom velhinho.

Papai Noel Amigo da Justiça

Papai Noel Artista Papai Noel Amigo Papai Noel Extra Agasalhado Papai Noel Galã Papai Noel Confeiteiro

Fui pesquisar para ver se encontrava alguma explicação para essa distorção de identidade do Papai Noel, ou “Santa-san”, como é chamado por aqui, e não encontrei nenhuma razoável. Apenas reafirmei algumas constatações que já tinha feito: 1) as japonesas adoram se vestir de Mamãe Noel ; 2) os japoneses adoram vestir “coisas” de Papai Noel – animes, robôs, etc ; 3) ele é mais amado pelos adultos que pelas crianças!

Amando o Papai Noel

foto: G1

 

É Inverno!

Apesar dessa insistência irritante do brasileiro em simular neve no Pinheiro de Natal, a verdade é que o nosso Natal é no calor intenso do verão. Foi assim sempre, e sempre será, independentemente de quantas máquinas de neve artificial Gramado e Moema quiserem colocar para funcionar.

Mas aqui é frio. Bem frio! O que para mim só atrapalha, pois em dezembro ainda não chega a nevar em Tóquio, mas já é frio o suficiente para causar sensibilidade no dente de quem dá um sorrisinho na rua. Já é necessário usar roupas muito grossas para dar um passeio mais longo na rua – e esse é o motivo de eu não ter fotos da iluminação de Natal de 2013.

Mas eu gosto do inverno, e mesmo os dias mais frios por aqui costumam ter um solzinho e céu azul. Então o negócio é ignorar as fotos de praia, churrasco e piscina no facebook e curtir as coisas boas do Natal no frio: tomar um chocolate quente na caneca de Natal do Starbucks, por exemplo. 🙂

 

É LONGE!

De tantas diferenças, pequenas e grandes, o que mais pesa para mim é estar longe da família. A casa dos meus pais sempre foi o QG da família para as festas de Natal mais animadas da história, com a casa sempre cheia de gente querida e comida gostosa. Agora, que as “crianças” da família já estão fazendo suas próprias crianças, dá uma tristezinha extra saber que não vamos estar juntos fisicamente nesse dia e acompanhar as reações das crianças à decoração e aos presentes.

Mas vamos estar aqui, celebrando entre amigos que estão nesse mesmo barco, fazendo as nossas orações para lembrar o sentido que essa data tem para nós e agradecer o ano maravilhoso que tivemos, renovando a esperança de um 2014 ainda melhor!

MERI KURISUMASU PARA TODOS!!!

Boca Grande

Vídeo

O Japão não cansa de me surpreender.
A última foi essa campanha de uma rede de fast food que lançou uma solução para um “grave problema” (?) da mulher japonesa.
Inusitado? Engraçado? Estranho? Genial?
Aqui posto o vídeo da campanha, em inglês, e abaixo segue uma tradução aproximada do que ele diz:

“Freshness Burguer, uma rede de lanchonetes japonesa, tinha um desafio: o hambúrguer clássico, o maior entre os ofertados, era o menos pedido pelas consumidoras do sexo feminino. Por quê? Para as mulheres japonesas, um “ochobo” – uma boca pequena e modesta – é considerado atraente. Em público, uma boca grande aberta é vista como algo feio e rude. Então, é de bom tom cobrir a boca ao abrí-la. Isso significa que é negado às mulheres o prazer de dar uma mordida de encher a boca neste grande e delicioso hambúrguer em público.
Freshness Burguer decidiu desafiar essa convenção, “libertando as mulheres da maldição da boca ochobo”. A solução: eles apresentaram o “guardanapo da libertação”, um invólucro para o burger que permite que as mulheres realizem seu desejo de dar uma grande e suculenta mordida no Classic Burguer. O resultado: a campanha foi um grande e instantâneo sucesso! As vendas do hambúrguer clássico para clientes do sexo feminino aumentaram em 213% comparadas ao mês anterior. A campanha foi destaque na rede nacional de TV e bem recebida por vozes felizes nas redes sociais. “Libertando as mulheres da maldição do ochobo”.
Da série “only in Japan”.

Não preciso nem mencionar que eu não precisei ser libertada de nada, já que eu não entendia esse costume de cobrir a boca e nunca me privei de dar mordidas selvagens em qualquer comida deliciosa. Da mesma forma, também não escondo a boca para poder rir – e nem pretendo. Mas estou doida para provar o tal do “kurashiku baga” (classic burguer) e tirar uma foto com o famoso invólucro que está tendo tanta repercussão!
Na minha humilde opinião, uma brilhante jogada de marketing da empresa que apresentou uma solução divertida para uma questão que (reforço, na minha humilde opinão) não tem graça alguma!

Naoshima – A Iha das Artes

Pessoal!!

Que vergonha passar tanto tempo sem atualizar o blog… Obrigada a todos que me escreveram nesse período de ausência! Fiquei muito feliz em saber que algumas pessoas vinham acompanhando o blog e sentiram falta de postagens novas!

Vou fazer o possível para escrever mais!!!

Esse é o texto que saiu na edição de agosto da revista Usina da Cultura, mas em uma versão um pouco mais longa aqui no blog. 

É um lugar que eu ainda não visitei, mas que certamente está na mira para uma próxima viagem!

A ILHA DAS ARTES

Localizada na parte sul do Japão, no chamado Mar Interior, encontra-se Naoshima: uma pequena ilha de aproximadamente 3 mil habitantes, hoje conhecida mundialmente pelos admiradores da arte moderna. Hoje, destaco, pois há pouco mais de 20 anos a área encontrava-se esquecida, sofrendo com a poluição industrial e com poucas perspectivas de futuro.

A ilha fica a aproximadamente 3 horas trem de Tóquio, próxima à cidade de Okayama. A cidade também pode ser acessada de avião (vôo de aproximadamente 75 min partindo do aeroporto de Haneda), ou através de uma viagem noturna de ônibus (aproximadamente 10 horas).

O surgimento da arte e da arquitetura neste lugar tão improvável pode ser creditado à Benesse Corporation, uma grande empresa japonesa da área de educação, cujo presidente é o bilionário e amante das artes Soichiro Fukutake. Motivado pela preocupação com o envelhecimento e diminuição da população de sua região natal, o empresário decidiu realizar consecutivos investimentos na ilha, o que desde 1992 têm alimentado a transformação de Naoshima e também das ilhas próximas.

Os projetos ficaram por conta do arquiteto mais famoso do Japão, o premiadíssimo Tadao Ando, que possui inclusive um Pritzker Prize (considerado o Nobel da arquitetura). Ando abarcou no sonho de Fukutake, e sua fama foi de grande contribuição para o projeto. Ele já assina sete museus na ilha, que contam com acervos de altíssima qualidade. Reúnem obras de dezenas de artistas japoneses e estrangeiros, como Jean Claude Monet e Jasper Johns, que se encontram não apenas em museus: uma caminhada pela ilha desvenda esculturas a céu aberto e belíssimas obras de arte moderna que usam a natureza como moldura. Os próprios museus estão em contato com a natureza e a utilizam para uma proporcionar uma interação singular.

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A abóbora gigante da famosa artista japonesa Yayoi Kusama. Foto: Estela Souza

A revitalização trouxe vida nova também as ilhas vizinhas, que a exemplo de Naoshima, também tentam se reerguer com a ajuda das artes. Uma delas, Ogijima, encolheu ao ponto de hoje morarem lá somente 200 pessoas. O que ocorre é que a população de pescadores e agricultores dessas localidades vinha envelhecendo, e os jovens iam embora para os grandes centros, deixando escolas fechadas e casas abandonadas. Casas estas que agora estão sendo usadas para instalações, em especial neste ano, no qual acontece a “Setouchi Triennale”– uma trienal que está expondo cerca de 200 obras em 12 ilhas da região, reunindo o trabalho de 210 artistas de 24 países.

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Instalação em uma das casas abandonadas de Ogijima. Foto: Estela Souza

Arte, arquitetura e natureza coexistindo e convidando à apreciação. O sonho do empresário de recuperar a comunidade através da arte tornou-se realidade, e é visitado por cerca de 400 mil pessoas todos os anos. Naoshima e as ilhas do mar interior despertaram de seu sono profundo, e estão celebrando os frutos desse projeto tão inspirador. Uma verdadeira prova do poder transformador da arte!

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Foto: Estela Souza

 

Usina da Cultura – Julho

Aqui vai o texto que saiu na revista Usina da Cultura de Julho!

A revista completa pode ser baixada neste link, e a coluna Lá no Japão está aqui! 🙂

O Público do Transporte

Em relação às manifestações dos últimos dias, me chamou a atenção o que dizia um cartaz que eu vi em uma foto na internet: “País desenvolvido não é onde o pobre tem carro. É onde o rico usa o transporte público.”

Não posso falar por outros países, mas posso afirmar que aqui no Japão isso é uma realidade.

Aqui, o sistema de transporte é tão completo que, de verdade, não é necessário ter carro.  Moramos aqui há quase 2 anos, e ainda nem fizemos carteira de motorista! É claro que o carro traz muita conveniência, mas aqui é possível chegar em qualquer canto usando o transporte coletivo – que consiste basicamente em trens (subterrâneos e de superfície).

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E todos os níveis sociais da população realmente usam esse transporte diariamente! Altos executivos e trabalhadores das fábricas, estudantes e idosos, japoneses e estrangeiros que aqui vivem ou passeiam. Pessoas muito bem vestidas, usando bolsas e relógios caros, estão ali todos os dias, usando o transporte público.

Tanto é assim que o trânsito em si é surpreendentemente silencioso e descongestionado para uma metrópole das proporções de Tóquio. Créditos também aos milhares de ônibus elétrico-híbridos que circulam pela cidade quase sem emitir ruídos nem poluição.

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Muitas pessoas que possuem um automóvel usam o trem no dia-a-dia, principalmente as que se deslocam da região metropolitana para cá. Quem, em sã consciência, arriscaria o engarrafamento na estrada e o tempo gasto para conseguir uma vaga (cara), quando se pode contar com um transporte seguro e de preço razoável?

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É claro que nem tudo são flores de cerejeira. A lotação das principais linhas entre as 7:30 e as 9:00 da manhã é intensa, mas isso se deve mais à superpopulação do país do que à falta de frota em si: os trens passam quase que um atrás do outro nesses horários.

Arrisco dizer que se o Brasil pudesse contar com um completo, eficiente e digno sistema público de transporte, o aumento de R$0,20 não teria sido a gota d’água que transbordou o copo.

Alguns dias depois que eu escrevi esse texto, o nosso competente correspondente de Tóquio, Roberto Kovalick, despediu-se do Japão com uma belíssima crônica, na qual ele fala também sobre o transporte público. Ainda bem que eu não tinha visto antes, se não ficaria extremamente intimidada em abordar o mesmo tema que o correspondente da Globo Internacional! 🙂 Recomendo que assistam o VÍDEO, ficou emocionante!

Um olhar sensível sobre Tóquio

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Eu assisti esse vídeo pela primeira vez em 2011, assim que soube que viríamos morar no Japão.
Comecei a pesquisar sobre a cidade e encontrei ele.
E adorei, mesmo sem entender muitas das cenas e imagens.
Mas na época eu li tanta coisa que não memorizei nem salvei onde foi que eu havia assistido, ou o título, ou alguma pista para encontrá-lo de novo!
Desde que cheguei aqui procurei e desisti várias vezes, até que hoje consegui!
É um olhar bem sensível sobre a cidade, com uma trilha linda. Gostei ainda mais agora, já que reconheço muita coisa!
Para quem já veio ao Japão, é um presente. Para quem ainda não veio, um convite!